29 julho 2008

Bertram

Taverneira do inferno
O vinho acabou-se
Enche a taça até a borda
Pé na cova, o gosto doce.

Enchei os copos, meus amigos
Pois o que direi é negro
Tal um cego perdido
Qual marcha fúnebre em allegro

Depois da sangrenta peleja
Acordei-me naufragado
Com febre na cabeça
Quisera ter-me afogado

Comigo eram dois
Minha amada e seu marido
Ela bela, olhos fundos
Definhando em seu vestido.

A única sorte
Para os três moribundos
Já perto da morte
C'olhos n'outro mundo.

Era o jogo mais maldito
Em que a morte era sorte
E o azar era a morte
Na miudez do palito

Olá Taverneira
Bastarda de Satã
Não vês que tenho sede?
Já é quase de manhã.

Lua Minguante.

Todo aquele sofrimento,
As lágrimas frias ao relento,
O tremor sutil dos lábios,
Àquela noite, o menor de meus pecados.

Observava à espreita,
O rosto pálido à janela,
Chorava de tal sorte,
Que a lua minguant'era ela.

Se pudesse atraí-la
Com o poder do pensamento
Debruçada a teria
Em seu leito de tormento.

De certo a possuiria
Com todo aquele sofrimento.
Seu corpo nu e branco
E lágrimas frias ao relento.

Antes

Noites onanistas em meu leito,
Solitário e quente eu me deito
Com a cabeça em seu vênus, seu peito.
Consumo só, o que quisera ter feito.