11 novembro 2008

Do tamanho de um punho cerrado

O coração é um músculo, pouco inteligente por sinal, que bombeia sangue. Não o faz de maneira racional. Não controla a irrigação, nem a intensidade dos batimentos, nem tem a iniciativa de se exercitar para evitar doenças do seu hospedeiro. Quem faz tudo isso é o cérebro. O coração, se você cortar alguém, serrar as costelas e colocá-lo para fora, de tão burro ainda continua batendo. Se jogá-lo no chão, continua batendo em meio à poça de sangue e gordura, num ritmo quase alegre. Se bem que, se o coração tem suas deficiências e é controlado pelo cérebro, este deve ser um tanto burro também - ou incompetente para gerir todos os órgãos do corpo de maneira 100% satisfatória. Tem que cuidar dos olhos, trompas de eustáquio, duodeno, rins, fígado, faringe, perna. Tudo bem, é órgão pra cacete e ele só tenta ser justo dando a mesma atenção para cada um deles, mas o coração é especial. É burro e importante, como um filho retardado a quem é dada toda a assistência. O cérebro não tem tato para isso. É um burocrático que não trabalha com as exceções.




2 comentários:

Gueixa disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Gueixa disse...

Posso roubar?
Eu amei...