24 fevereiro 2012

Fotofobia

Nem só de vida vive o homem
Nem só a luz é que nos leva
É nas trevas que podemos
Enxergar o que nos cega

É só no escuro que achamos
O que não podemos ver
E é só a morte que permite
O nascer e o renascer

É o pútrido que fertiliza
É o negro que catalisa
A catarse que se precisa
Para cantar e para foder

Só nas sombras confessamos
Quem somos e o que queremos ter
É na chuva que esperamos
O que queremos colher

É na noite que saímos
Do trabalho para o viver
E mesmo assim somos escravos
Da luz, do amanhecer.

20 outubro 2009

Brejo da Madre Deus, 5 de janeiro de 1963

Em frente à cama de Aristides tinha uma janela. O céu daquele fim de mundo era lindo no verão. Sem nuvens e sem postes, por vezes ele conseguia observar a forma espiralada da nossa galáxia. Dizia: “Chega, Maria, hoje tá dando pra ver o cavaco chinês no céu”. Naquela noite contou 13 estrelas cadentes até pegar no sono. Novo recorde. Perdeu a hora porque o galo não cantou naquela madrugada.

Levantou-se atordoado, vestiu a camisa verde e amarela com o número 10 nas costas e duas estrelas na frente. Fazia um frio que nunca sentira nem nos julhos de ano bissexto.
Percebeu que todas as cabras estavam concentradas numa pequena área do pasto e achou estranho. Pela fresta da porta viu o padre se aproximar e bater na sua porta 3 vezes. Não atendeu. Lembrou-se da discussão que teve com a mulher dois dias antes sobre ser ateu. A torneira começou a pingar. Desconfiado, foi lá e apertou. Ouviu um trovão. Correu para pegar a rede que tinha ficado do lado de fora. Quando deu o primeiro passo apressado a viu dobrada em cima da cadeira da sala. Estava certo que a tinha colocado para dentro no dia anterior. Pensou em perguntar a Maria, mas ela estava na feira. Choveu forte por dois minutos e o sol voltou a brilhar. As cabras continuavam em silêncio, amontoadas no mesmo lugar. O balanço que tinha construído e instalado na mangueira estava balançando sozinho. Viu o padre molhado da chuva, perto da igrejinha, ajoelhado. Ouviu outro barulho grave, mas não era trovão. Era contínuo e vinha de longe. Abriu a porta e colocou só a cabeça para fora, comprimindo os olhos para tentar ver algo no céu. O barulho aumentava de intensidade a cada segundo. O balanço parou. As cabras continuavam lá. Ele sentiu medo, mas era curioso e ficou. O som já fazia sua caneca de metal tremer na mesa. De repente viu cinco objetos prateados cortarem o ar mais ou menos à altura do teto da sua casa. Seu chapéu voou para longe. Se fosse alfabetizado leria “Esquadrilha da Fumaça”, como não era, ajoelhou-se com lágrima nos olhos, juntou uma palma da mão na outra e pediu perdão a Deus.

06 abril 2009

Mel amarga

O pai de Melissa era ateu. A mãe, evangélica desde que conseguiu engravidar depois que um homem de terno, gravata e um livro grosso molhado de suor passou pela sua vizinhança e botou a mão na sua cabeça. Era tão fervorosa na igreja quanto o marido no cabaré. Mel, como a chamavam, era tão influenciada por Regina quanto ressentida dos hábitos mundanos de Jõao Maria – ou Jão, como as putas e os bêbados o conheciam. O resultado foi uma construção de caráter baseado na escola domincal da radical igreja do bairro, que a ensinava a orar enquanto ouvia os quase estupros da mãe pelo pai bêbado, nos finais de mês, quando não podia arcar com as raparigas.

Mel não era de se jogar fora, mas tinha que olhar bem de perto para perceber através dos cabelos negros, longos, sem vida e sem química, do buço virgem de cera assim como as partes mais baixas que as saias jeans longas e sem graça escondiam. Como qualquer maquiagem era diabólica, seu único cosmético era sabonete e lâmina de barbear para raspar apenas as axilas, que fazia desde os 13 anos. Abominava homens. Só pensava em sexo quando o amaldiçoava. Nunca se masturbara, no máximo acordara com a calcinha molhada e com uma culpa que ensopava também seus olhos. Chegava ao ponto de passar horas no ponto esperando um ônibus mais vago para evitar os atritos maliciosos, que lhe arrepiavam a nuca de nojo.

No dia 13 de julho ia do culto para casa. Chovia torrencialmente. Como sua bíblia tinha uma capinha com zíper de um material impermeável, corria com ela em cima da cabeça em direção à parada. A 10 metros olhou para trás. Seu ônibus. Lotado, assim como o abrigo para esperá-lo. Decidiu então entrar. Murmurava uma oração já nos degraus. Subiu com a roupa molhada e passou pela roleta. Ombros tensos. Livro contra o peito. Uma estudante se ofereceu para carregar, ela relutou em deixar, mas tinha que ter um apoio mais fácil, já que a cada freada uma massa humana de trabalhadores cansados se reorganizava sempre buscando a acomodação de seus membros nos estreitos vales dos glúteos das incautas.

Até a data, com 19 anos, Melissa tinha conseguido evitar tais saliências preferindo inclusive andar na chuva para casa a subir num coletivo amontoado. Talvez naquele dia estivesse cansada, ou o culto lhe tenha dado a confiança de que nenhum desprazer lhe acometeria. Sua sorte foi que logo depois da roleta, havia uma concentração de mulheres, que provavelmente também decidiram não se expor ao atrito da passagem até o fundo do carro.

No ponto do shopping sobe e desce muita gente. É a minha chance de arrumar um lugar para sentar, pensou entre um versículo memorizado e outro. O que ela não contava é que a chuva faz com que as pessoas prefiram os primeiros coletivos que passam em detrimento dos que param mais perto dos seus destinos, principalmente os que já estão se molhando devido ao excesso de contingente da parada. Desceram 6 e subiram 13. O lugar vago, foi ocupado mais rápido por uma mulher com e o filho pequeno. Mel amargou continuar de pé. Naquela leva subiu Roberto, que vinha do cinema. Ela o achou bonito. Ele se posicionou do lado dela, até que no ponto seguinte, Leilane - uma gorda vendedora de cachorro-quente subiu. Do lado esquerdo de Beto estava a menina evangélica e depois dela uma concentração impenetrável de pessoas buscando a aproximação da porta de saída. Do lado direito estava a roleta. Leilane e seus 116 quilos bem distribuídos nos seus 154 centímetros de comprimento criou um novo espaço entre Beto e o trocador. O jovem perdeu o apoio e foi tangido para as costas de Melissa, seguro apenas pela coesão da massa de trabalhadores. Mel não gostou, mas pelo menos era um rapaz bonito e não teve culpa. Ele não estava preocupado em sarrar na garota, mas em manter-se de pé. Mel sentia, mesmo flácido, a sobressaliência da calça do rapaz. Incomodou-se pouco. Sabia que estava procurando uma saída da situação, mas acabou não vendo esperança quando mais duas pessoas subiram. Agora ela estava incomodada. Fechou os olhos e mentalizou uma oração mais fervorosa. Algo que interpretou como agonia tomou conta do seu quadril e ventre. Cerrou os olhos com mais força. Agora chegava a sussurrar um salmo. Uma freada mais brusca a fez sentir um passamento e ficou fora de si por alguns segundos. Com a movimentação, Roberto finalmente achou um espaço. Ela interpretou a freada como uma providência divina e o passamento como uma descarga espiritual. Com a roupa molhada da chuva, não percebeu, já em casa, uma nova textura de umidez na sua roupa íntima. Tinha puxado ao pai, afinal.

10 dezembro 2008

Quarta-Feira

Se não foi amor aquele suspiro, aquele silêncio todo, não o conheço então. O meu tem a força de 12 exércitos. Pior, a força da resistência à 12 exércitos.


Na quinta marcha o vento na cara é mais forte, é só dizer ao piloto que quer com emoção.

Só não se negocia o amor. O resto sim.




24 novembro 2008

Feliz Aniversário

Era aniversário de Júlia. Que mérito eu tenho em sobreviver à passagem do tempo? Em envelhecer? Pensou entre um “tudo de bom pra você” ôco e um “parabéns” vazio, todos em telas. De celular, de computador. Lembrou das palavras da sua mãe no dia que decidiu sair de casa. Individualista. Você não liga para ninguém. Um dia ninguém vai ligar para você. A mudança de sentido do verbo ligar a fez achar proféticas as palavras de Dona Regina. Mas nem ela me ligou? Ela liga todo ano. Será que meu celular está ligado? Checou 6 vezes em duas horas. Depois de mais uns e outros “parbéns” e “felicidades”, e algumas mensagens padrão de lojas de roupa, decidiu ignorar o celular.

Decidiu sair só. Estava puta. É engraçado dizer que estava puta. Eram 2 da tarde. Vestiu o biquini e foi à praia sozinha, afinal se bastava. Deitou na canga com óculos escuros apontado para o sol. Aquele era o biquini pequeno. O resquício de uma marquinha maior denunciava que não costumava usar aquele. Olhos fechados e fones no ouvido. Nada a perturbava até sentir o chão tremer. Quando levantou os óculos percebeu a bola de futebol ainda rolando perto das suas pernas e meninos de pernas branca que improvisavam uma pelada com traves de coco, bem perto de onde ela igualava as marcas de bronzeado.


Tanto lugar nessa litoral brasileiro para esses meninos. Também não saio daqui, pensou enquanto ecoava, de novo as palavras de sua mãe. Daqui eu não saio. Cheguei primeiro. Aumentou o volume. Uma dividida de bola lançou 58 grãos de areia no seu dedão esquerdo do pé.

Quase quebra as pernas do óculos quando os tirou bruscamente do rosto de menina burguesa de nariz empinado. O recado da sua expressão foi passado aos jogadores. Já não estava mais deitada. Flexionou um pouco as pernas e apoiou os cotovelos no canto da canga e observou de maneira desafiadora o jogo.


Jeferson era o gordinho do condomínio que não gostava de futebol, mas participava pela aceitação social. Ficava ali perto gol para constar. 17 anos. Espinhas no rosto. O ângulo dos joelhos de Júlia comprimiam sua vulva no pequeno biquini. A posição aliada à depilação minuciosa que fizera para o caso de se dar bem no dia do aniversário. Percebeu que Jeferson observava exatamente esse detalhe por causa do gol que não pode ser evitado pela falta de atenção do adolescente. Sentiu inicialmente repulsa, mas o seu ódio pelo mundo e a coincidência do seu aniversário ter caído exatamente 14 dias depois da sua última menstruação a fizeram preferir provocar o gordinho. Afastou um pouco mais uma perna da outra e ajeitou o top do biquini. Jeferson tentava disfarçar falando com os colegas de time enquanto a observava. Júlia decidiu passar protetor solar na parte interna da coxa. Virou-se de bruços, quase de quatro, para pegar algo na bolsa. O biquini não era fio dental, mas nessa hora ficou. Quando retornou, viu o menino de tetas grandes dar uma apertadinha no pau. Pronto, era hora de ir. Ela acenou de longe. Mais um gol aconteceu.

Fim da tarde, mais mensagens em tela. Sua mãe liga, afinal. Mas só ela. A experiência da tarde a tinha provado que se bastava. Sair sozinha de novo à noite não seria um problema. Onze horas no bar, muitos conhecidos mas nenhum parabéns. Antes da banda começar rolava um som. Uma mulher com biotipo e estereótipo de funkeira dançava exageradamente com um short branco curto. Lembrou da frase de Marco, seu amigo: “calça branca dá tesão até no varal”. Deu em Matheus: menino de cabelo partido de lado e ombros estreitos que a secava de longe, mas descaradamente. Júlia foi ao bar. Caipirinha. Uma, duas, três. Meia noite e meia passa perto da escada que a tal mulher que dançava subia. O tal do Matheus ainda, de baixo, como que gravando a imagem para a punheta que bateria em casa, olhando. Lembrou-se do gordinho da praia. Ébria, chegou para Matheus e perguntou ao seu pé-do-ouvido


  • E eu? Sou gostosa também?

O menino, ficou o rosto vermelho. Titubeou e fez que sim. Ela saiu de perto, só queria provocar.

Andou pelo bar e por meia hora. Por onde ia, Matheus a espreitava sem coragem de aborda-la. Ela sorriu com o canto da boca e foi até ele.

  • Qual é o seu nome?
  • Matheus e o seu?
  • Roberta. Você é virgem, Matheus?
  • Não
  • Claro que é.
  • Você não vai me comer hoje, mas eu tenho uma proposta:

Uma lágrima estava prestes a cair pelos olhos do menino.

  • Eu te mostro minha boceta, mas você não vai poder me tocar e vai ter que fazer uma coisinha pra mim. Topa?
  • Sim.
  • Seu pau está duro?

Não respondeu. Ela chegou perto e tocou a calça. Estava.

  • O que eu tenho que fazer?.
  • Você topa ou não?
  • Topo

Foram ao banheiro masculino, numa cabine. Ele estava parado.

  • Baixa as calças. Ela mandou.

Cueca Zorba.

  • Me dá o seu dedo, Júlia falou. Ele deu o indicador. Ela pegou a mão dele, sacou o dedo médio do punho fechado de timidez e colocou na boca. lambuzou-o com a boca. Ele estava com o pau duro e cabeça vermelha, mas tinha vergonha de se masturbar.
  • Você não vai me mostrar? O menino tinha a voz trêmula.
  • Calma, você ainda não fez o que eu pedi. Enfia o dedo no cu.

Matheus hesitou.

  • To falando sério. Quer ver ou não quer?

Ele colocou a mão atrás de si.

  • Não vale roubar. Deixa eu ver. Ela colocou ele de costas com um pé no vaso para vê-lo se penetrando. O menino se tremia de alguma coisa: ódio, medo ou vergonha.
  • Enfia tudo

Feito. Júlia colocou-se do lado dele e levantou o vestido. E baixou a calcinha até o joelho também. Matheus estava imóvel com o dedo no cu.

  • Você pode bater uma se quiser, só não pode me tocar.

Ele não fez nada, só olhava com o ânus entupido e o cacete ereto.

- Ela começou a brincar com sua boceta. Exibia-se pra ele. A situacão evoluiu e a excitou. Não pela visão do menino, mas pela sensação de poder. A sua masturbação inicialmente simulada, passou a ficar real. Ecoou pela terceira vez, o discurso da sua mãe. Gemia alto para provocá-lo, mas nem sentia tanto prazer assim. Ele timidamente tocou seu pau. Júlia virou pra ver se o dedo do menino estava onde ela tinha mandado. Estava. Ela abria sua vulva para Matheus ver. O fez por 30 segundos até o coitado explodir num orgasmo. Uma parte espirrou involuntariamente na palma da mão de Júlia, que prontamente a devolveu em formato de tapa na cara de Matheus. O rosto do menino ficou vermelho da pancada e molhado do seu próprio esperma. Ela enxugou o que faltava na camisa dele e foi embora. Ele sentou no vaso e chorou. Ela foi pra casa vingada.

17 novembro 2008

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14 novembro 2008

Bobo como eu

Queria ter um fusca azul
Uma prancha de surf
Fazer uma viagem para o sul.


Queria ter uma cama de casal
Um quarto só pra mim
Achar tudo normal


Queria ter férias em fevereiro
Experimentar carnaval
Fazer coisas que não me dão dinheiro


Queria ser mais belo
Não precisar me esforçar tanto
Pra criar um elo


Queria ser mais inteligente
Me apegar mais aos bichos
Menos à gente


Queria sair daqui
Morar fora
Para quando a coisa apertar ter pra onde ir


Queria ter alguém
Que quisesse estar comigo
pelos mesmos motivos que eu
Que me ame como amigo
E não queira ter mais ninguém

11 novembro 2008

Do tamanho de um punho cerrado

O coração é um músculo, pouco inteligente por sinal, que bombeia sangue. Não o faz de maneira racional. Não controla a irrigação, nem a intensidade dos batimentos, nem tem a iniciativa de se exercitar para evitar doenças do seu hospedeiro. Quem faz tudo isso é o cérebro. O coração, se você cortar alguém, serrar as costelas e colocá-lo para fora, de tão burro ainda continua batendo. Se jogá-lo no chão, continua batendo em meio à poça de sangue e gordura, num ritmo quase alegre. Se bem que, se o coração tem suas deficiências e é controlado pelo cérebro, este deve ser um tanto burro também - ou incompetente para gerir todos os órgãos do corpo de maneira 100% satisfatória. Tem que cuidar dos olhos, trompas de eustáquio, duodeno, rins, fígado, faringe, perna. Tudo bem, é órgão pra cacete e ele só tenta ser justo dando a mesma atenção para cada um deles, mas o coração é especial. É burro e importante, como um filho retardado a quem é dada toda a assistência. O cérebro não tem tato para isso. É um burocrático que não trabalha com as exceções.




10 novembro 2008

Última Instância

Se você não fizer o que eu quero eu te bato.

Te dou o que você quer, se você dormir comigo.

Amor de verdade

Te amo por toda eternidade, a menos que eu goze antes.