12 Novembro 2009
Curtas #2
#2 Depois da primeira transa ela disse suspirosa e finalmente apaixonada: Ai, Edu, temos tanto em comum... Ele respondeu: É, inclusive AIDS
#3 Na mesa do primeiro almoço os olhos simpáticos da família dela se voltam ansiosos para ele. - E então amor, gostou da comida que sua futura sogrinha preparou especialmente para você? - Adorei. A coca-cola estava ótima.
#4 O mano da periferia foi dar o golpe do baú e acabou se apaixonando. Era mesmo uma mina de ouro.
28 Outubro 2009
Ah, o diálogo...
- Oi Ritinha. Briguei com Valéria. Foi feio mesmo. Preciso conversar, me abrir, desabafar.
- Claro, amor, pode vir. Sou toda priquitos.
20 Outubro 2009
Brejo da Madre Deus, 5 de janeiro de 1963
Levantou-se atordoado, vestiu a camisa verde e amarela com o número 10 nas costas e duas estrelas na frente. Fazia um frio que nunca sentira nem nos julhos de ano bissexto. Percebeu que todas as cabras estavam concentradas numa pequena área do pasto e achou estranho. Pela fresta da porta viu o padre se aproximar e bater na sua porta 3 vezes. Não atendeu. Lembrou-se da discussão que teve com a mulher dois dias antes sobre ser ateu. A torneira começou a pingar. Desconfiado, foi lá e apertou. Ouviu um trovão. Correu para pegar a rede que tinha ficado do lado de fora. Quando deu o primeiro passo apressado a viu dobrada em cima da cadeira da sala. Estava certo que a tinha colocado para dentro no dia anterior. Pensou em perguntar a Maria, mas ela estava na feira. Choveu forte por dois minutos e o sol voltou a brilhar. As cabras continuavam em silêncio, amontoadas no mesmo lugar. O balanço que tinha construído e instalado na mangueira estava balançando sozinho. Viu o padre molhado da chuva, perto da igrejinha, ajoelhado. Ouviu outro barulho grave, mas não era trovão. Era contínuo e vinha de longe. Abriu a porta e colocou só a cabeça para fora, comprimindo os olhos para tentar ver algo no céu. O barulho aumentava de intensidade a cada segundo. O balanço parou. As cabras continuavam lá. Ele sentiu medo, mas era curioso e ficou. O som já fazia sua caneca de metal tremer na mesa. De repente viu cinco objetos prateados cortarem o ar mais ou menos à altura do teto da sua casa. Seu chapéu voou para longe. Se fosse alfabetizado leria “Esquadrilha da Fumaça”, como não era, ajoelhou-se com lágrima nos olhos, juntou uma palma da mão na outra e pediu perdão a Deus.
04 Agosto 2009
Curtas
#2 Sua mãe é muito burra, disse Jorge. E a sua tem um filho com o nariz quebrado, respondeu Maurício.
#3 Descobriu o caso do seu marido com uma prostituta de luxo. Escreveu para pedir para se afastar. A carta começava: "Caríssima Daniela".
#4 Como já conhecia a maneira peculiar dela contar histórias. Pendurou o telefone e foi fazer miojo.
13 Julho 2009
Trevas e o que viria a ser o Dia do Rock
Um deles, o último, por sinal, aconteceu o centro da cidade. Depois de um pontapé na canela do homem que desistiu de reclamar com Dona Ebe por vê-la com o corpo contorcido depois de um soco na boca do seu estômago, um Opala preto parou no sinal, ao lado da confusão. O vidro foi aberto pelo motorista curioso. Da janela emanava um som nunca antes ouvido pelo garoto. Era Black Sabbath. Aquilo atingiu o tímpano de Gerson, que parou de apertar o testículo de um senhor e desistiu do chute que estava prestes a desferir contra um isopor de picolé. Entrou numa espécie de transe em que apenas balançava a cabeça para cima e para baixo, no ritmo de Ozzy e Cia. Um sorriso em meio às lágrimas de dor e vergonha surgiu no rosto de Dona Ebe. Ela sabia que podia ter a solução. Imediatamente comprou o LP da banda e gravou uma fita cassete. Enquanto o menino ouvia a agressividade do som, mantinha a sua dormente. Mais tarde percebeu que todo o chamado "roque paulera" acalmava o menino, que na medida que crescia, desenvolvia o fascínio pelo estilo.
Na adolescência já colecionava discos, fitas e posters das bandas, andava com uma turma estranha que usava bandanas e calças rasgadas, por quem foi rebatizado: Gerso Trevas. Para seus pais, a bebida e o cigarro eram um mal insignificante frente ao grande benefício da integração com outras pessoas, que desde a infância do filho temiam não ser possível. Todos conheciam seu problema mas o aceitavam. Era o mascote do grupo.
Naquele sábado, dia 13 de julho Trevas e sua gangue foram a um show de Hard Rock. os Crazy Cats. Como fazia sempre, levou um poster do grupo para tentar ganhar autógrafos. Músicas pesadas e letras violentas faziam tudo transcorrer bem, até que o baterista bateu uma baqueta contra a outra quatro vezes para indicar o início de “Você me faz ser um cara muito melhor”, a única e, até então inédita, balada da banda. O desvio das raízes roqueiras mexeu com o frágil sistema nervoso do rapaz. O ódio consumiu sua mente, mas como já era praticamente um homem, com mais autocontrole, conseguiu aplacar a gana de agredir terceiros inocentes. O sentimento era de decepção, mais do que propriamente raiva. Na mão esquerda tinha o poster. Com a direita tirou do bolso o isqueiro. Começou a chorar.Acendeu e, com o braço para cima e os olhos úmidos para o chão, amaldiçoava a banda pela traição. Depois de algumas palavras abafadas pelo barulho do show, ergueu sua cabeça na intenção de protestar incinerando a foto dos músicos de cabelos coloridos e armados com laquê. Mas a dor foi tanta que sofreu um ataque cardíaco. Antes de morrer percebeu que as pessoas em volta, por algum motivo tão obscuro quanto os olhos de Alice Cooper, o imitavam erguendo seus isqueiros ao som da música lenta.
Desde então, onde quer que haja uma banda de rock tocando uma balada, gesto de Gerso Trevas é repetido e seu espírito, hoje descansando ao lado dos deuses do Rock 'n' Roll é homenageado.
06 Abril 2009
Mel amarga
O pai de Melissa era ateu. A mãe, evangélica desde que conseguiu engravidar depois que um homem de terno, gravata e um livro grosso molhado de suor passou pela sua vizinhança e botou a mão na sua cabeça. Era tão fervorosa na igreja quanto o marido no cabaré. Mel, como a chamavam, era tão influenciada por Regina quanto ressentida dos hábitos mundanos de Jõao Maria – ou Jão, como as putas e os bêbados o conheciam. O resultado foi uma construção de caráter baseado na escola domincal da radical igreja do bairro, que a ensinava a orar enquanto ouvia os quase estupros da mãe pelo pai bêbado, nos finais de mês, quando não podia arcar com as raparigas.
Mel não era de se jogar fora, mas tinha que olhar bem de perto para perceber através dos cabelos negros, longos, sem vida e sem química, do buço virgem de cera assim como as partes mais baixas que as saias jeans longas e sem graça escondiam. Como qualquer maquiagem era diabólica, seu único cosmético era sabonete e lâmina de barbear para raspar apenas as axilas, que fazia desde os 13 anos. Abominava homens. Só pensava em sexo quando o amaldiçoava. Nunca se masturbara, no máximo acordara com a calcinha molhada e com uma culpa que ensopava também seus olhos. Chegava ao ponto de passar horas no ponto esperando um ônibus mais vago para evitar os atritos maliciosos, que lhe arrepiavam a nuca de nojo.
No dia 13 de julho ia do culto para casa. Chovia torrencialmente. Como sua bíblia tinha uma capinha com zíper de um material impermeável, corria com ela em cima da cabeça em direção à parada. A 10 metros olhou para trás. Seu ônibus. Lotado, assim como o abrigo para esperá-lo. Decidiu então entrar. Murmurava uma oração já nos degraus. Subiu com a roupa molhada e passou pela roleta. Ombros tensos. Livro contra o peito. Uma estudante se ofereceu para carregar, ela relutou em deixar, mas tinha que ter um apoio mais fácil, já que a cada freada uma massa humana de trabalhadores cansados se reorganizava sempre buscando a acomodação de seus membros nos estreitos vales dos glúteos das incautas.
Até a data, com 19 anos, Melissa tinha conseguido evitar tais saliências preferindo inclusive andar na chuva para casa a subir num coletivo amontoado. Talvez naquele dia estivesse cansada, ou o culto lhe tenha dado a confiança de que nenhum desprazer lhe acometeria. Sua sorte foi que logo depois da roleta, havia uma concentração de mulheres, que provavelmente também decidiram não se expor ao atrito da passagem até o fundo do carro.
No ponto do shopping sobe e desce muita gente. É a minha chance de arrumar um lugar para sentar, pensou entre um versículo memorizado e outro. O que ela não contava é que a chuva faz com que as pessoas prefiram os primeiros coletivos que passam em detrimento dos que param mais perto dos seus destinos, principalmente os que já estão se molhando devido ao excesso de contingente da parada. Desceram 6 e subiram 13. O lugar vago, foi ocupado mais rápido por uma mulher com e o filho pequeno. Mel amargou continuar de pé. Naquela leva subiu Roberto, que vinha do cinema. Ela o achou bonito. Ele se posicionou do lado dela, até que no ponto seguinte, Leilane - uma gorda vendedora de cachorro-quente subiu. Do lado esquerdo de Beto estava a menina evangélica e depois dela uma concentração impenetrável de pessoas buscando a aproximação da porta de saída. Do lado direito estava a roleta. Leilane e seus 116 quilos bem distribuídos nos seus 154 centímetros de comprimento criou um novo espaço entre Beto e o trocador. O jovem perdeu o apoio e foi tangido para as costas de Melissa, seguro apenas pela coesão da massa de trabalhadores. Mel não gostou, mas pelo menos era um rapaz bonito e não teve culpa. Ele não estava preocupado em sarrar na garota, mas em manter-se de pé. Mel sentia, mesmo flácido, a sobressaliência da calça do rapaz. Incomodou-se pouco. Sabia que estava procurando uma saída da situação, mas acabou não vendo esperança quando mais duas pessoas subiram. Agora ela estava incomodada. Fechou os olhos e mentalizou uma oração mais fervorosa. Algo que interpretou como agonia tomou conta do seu quadril e ventre. Cerrou os olhos com mais força. Agora chegava a sussurrar um salmo. Uma freada mais brusca a fez sentir um passamento e ficou fora de si por alguns segundos. Com a movimentação, Roberto finalmente achou um espaço. Ela interpretou a freada como uma providência divina e o passamento como uma descarga espiritual. Com a roupa molhada da chuva, não percebeu, já em casa, uma nova textura de umidez na sua roupa íntima. Tinha puxado ao pai, afinal.
23 Janeiro 2009
Escolhas
- Oi. Fernanda
- Olha só! Que coisa!
Minutos depois
- Você gosta mais de machismo ou prefere direitos iguais?
- Dããã. Que pergunta! Odeio machismo.
- Além da permanência foram 2 camisinhas e uma água de coco. 36 reais.
09 Dezembro 2008
08 Dezembro 2008
Amizade
10 anos depois, o rapaz estava com o canudo de engenheiro na mão e uma proposta de emprego em Natal. Contatos com a amiga eram raríssimos pelo msn. Ela tinha se tornado apenas uma foto dentro de um quadradinho que de vez em quando aparecia no lado superior direito do seu monitor. As mães é que ainda se falavam. Dona Marta ligava sempre para Valéria, a mãe de July, para saber se os seus inquilinos estavam cuidando bem da casa que deixara alugada em Natal.
- Juju, Marta me falou que Dani está voltando pra cá. Chega sexta. Ele vai ficar aqui em casa uns dias até o pessoal da casa dele sair - disse a mãe de July enquanto procurava um brinco para sair.
Ela só fez que sim com a cabeça, sem parar de teclar no computador. Pensava que tinha mudado tanto que não tinha mais nada a ver com o amiguinho de 10 anos atrás.
Sexta-feira e Daniel chegaram. Ambos sem graça. Abraçou July mais apertado que o normal para disfarçar a falta do que dizer. Valéria, era quem falava. Como você tá bonito, grande, se formou, que bom, e o trabalho? Ele respondia. July não tinha mudado muita coisa. Claro que agora ele não precisava socar o braço dela para recordar que era uma menina, já que ostentava dois grandes e firmes lembretes embaixo de sua blusa, apesar daquele jeitinho de moleque ainda estar lá.
Descanso da viagem. Hora do jantar. Sentaram os três na mesa:
- Vai sair hoje, filha?
- Acho que sim.
- Convida Daniel.
- Não precisa. Constrangido.
- Ah, que é isso, vamos. Vai ser legal. July forçava a barra para ser boa praça.
- Se não for incomodar muito... Daniel justificou.
- Claro que não. Minhas amigas vêm me pegar às 10.
- Estarei pronto.
Valéria observava a cena com um sorriso de orelha à orelha.
- Quando vocês eram pequenos eu tinha certeza que iam namorar. Fiquei tão triste quando você foi embora.
- Ou, mãe. Pára de falar isso, o menino mal chegou, a senhora já começa a falar besteira! Ligue não Daniel. Já terminou? Pode subir se quiser.
Pediu licença e foi para o quarto de hóspedes. 10 horas as meninas chegaram. Eram 3. Todas no estilo July, inclusive Andreza que dias depois descobriu ser a namorada. Agora ele entendeu todo aquele jeito meio moleque e por algum motivo o curtiu. Talvez por sentir-se descolado tendo uma amiga que goste de meninas, talvez pelo motivo irracional que atrai todos os homens ao universo lésbico, talvez por se tratar de um sexo diferente, um potencial comportamento diferente na cama – que gera muita curiosidade – talvez pela força e convicção que o elemento masculino traz à personalidade – o que ele admira numa mulher. Curtiu com razão porque embora todas essas alternativas sejam, porém imaginárias, verdadeiras, na prática, benefícios mais palpáveis existiam. Falar de sexo e mulheres e receber conselhos e dicas sobre os mesmos assuntos de uma outra mulher é fantástico. Sem falar que o assunto de homem pode ser travado com um decote ou pescocinho cheiroso no lugar de uma barba e uma coçada de saco. Ter um amigo e uma amiga na mesma pessoa era fascinante. E ele ia gozando disso à medida que os dias passavam e os seus laços se estreitavam.
Semanas depois, Daniel já estava alojado na sua antiga casa. Era grande e para não sentir-se sozinho fazia a maioria das refeições na casa de July. Na dele eram as festinhas íntimas aos sábados, regadas à vinho e Rock ‘n’ Roll em almofadas no chão. Ocasiões que em muitas vezes transformava o lar do menino em motel para as amigas terem um pouco de liberdade, já que Dona Valéria nem sonhava com uma nora. Ele, que se apossou do antigo quarto dos seus pais, fazia questão de ceder o aposento para as coleguinhas e dormir no seu antigo quarto, numa atitude nem tanto altruísta. O fato de se masturbar ao som de sorrizinhos e cochichos baixos que por vezes o faziam se levantar e colocar o ouvido na porta e no outro dia cheirar lençóis não significava nada além da excitação pela consciência de duas mulheres gostosas transando num cômodo perto do seu. A tensão sexual no dia-a-dia tinha uma latência confortável, e se manifestava com pouca intensidade, com exceção das conversas sobre sexo, que além de excitante eram muito esclarecedoras para ambas as partes.
Sexta à noite, Daniel fumava um cigarro na varanda de casa, quando July chegou da faculdade. Acenou pra ela que retribuiu se dirigindo a ele. Entrou na casa do amigo, sentou do seu lado e colocou a mochila e câmera fotográfica em outra cadeira:
- E aí, vamos para onde hoje? Ela falou soltando bastante ar, como se tivesse passado um dia cansativo.
- Nem sei, estou completamente liso. Cadê Andreza?
- Amanhã de manhã vai para o interior. Parece que morreu uma tia que ela não conhecia. Foi pra casa dormir. Bora tomar pelo menos uma cerveja? Tô morta.
- Cerveja tem aí. Pega lá na geladeira.
Enquanto a menina foi lá dentro ele pegou a bolsa da câmera fotográfica e olhou pra ela. Era uma daquelas profissionais.
- Não sabia que você tinha uma câmera. Daniel falou assim que July chegou da cozinha com duas longnecks.
- É da faculdade. Tenho que fazer um trabalho de fotografia. Disse enquanto a abria sua cerveja.
- Como é?
- Auto-retrato. Tenho que fazer um auto-retrato. Frescura de professor metido a artista. Tenho que levar uma foto minha que retrate a minha personalidade.
- Porra, agora então. Sentar na varanda tomando cerveja é sua cara.
- Bate ai então. Mas não vale ser agora, tenho que estar desprevenida, não vale foto posada.
Daniel deixou a câmera a postos para clicar quando ela não esperasse.
- Quer dizer que você está aprendendo a fazer fotos. Que massa!
- Mais ou menos, não dá pra aprender mesmo na faculdade, só ter noção. Mas eu tô curtindo, vou ficar o fim de semana com a câmera. Quero fazer umas fotos. Só pra brincar mesmo.
Ela tomou a câmera de Daniel, mexeu nuns botões como se soubesse o que estava fazendo e falou. Faz um pose de G magazine aí. Ele riu.
- E eu sei lá como é pose de G magazine!
Dessa vez foi ela quem riu.
- Bom, pra começar tem que ficar de pau duro.
- Não acredito. São de pau duro as fotos?
- É, meu filho. É revista pra viado, num é pra mulher não.
- Porra, não teria coragem.
- Se me pagassem bem eu faria.
- Sério July, você posaria nua?
- Claro, pô. Por uns 500 mil, eu posava na hora. Ou então, 1 real por punheta que batessem para mim.
- Ia ficar pobre então.
- Caralho Daniel, eu sou gostosinha, pô. Vai dizer que você nunca bateu uma pra mim?
- Eu não. Respondeu muito sem graça.
- Rá. Ficou, sem graça. Aposto que já bateu várias.
Ela falava com bom humor, e ele não olhava mais nos olhos dela.
- Pode admitir, meu filho, é normal. Pelo menos eu acho, pra vocês homens.
Calado.
- Daniel.
- Oi.
- Você já bateu uma pra mim?
Ela tinha cara de quem estava prendendo o riso.
- Caralho July, isso é coisa que se pergunte? E você, já bateu uma pra mim?
- Não mesmo, nem de pinto eu gosto, meu filho, já você... Já vi você me secando altas vezes.
- Tenho certeza que já bateu.
- Bati, caralho. Pronto. Vou pegar outra cerveja.
Ele se levantou e ela foi atrás, tirando sarro da cara dele.
- Só pra mim, ou pra mim e Andreza? Me conta, ninguém nunca disse que tinha se masturbado pensando em mim.
- A conversa, está injusta. Eu to me expondo aqui e você não está falando nada pra mim.
- O que você quer que eu diga? Pode pedir que eu falo.
Pegaram a cerveja mas não voltaram para a varanda, ficaram na sala.
- Sei lá. Acho que precisamos beber mais.
A conversa tomou outro rumo. Beberam mais. Bem mais. Compraram mais cerveja. Estavam bêbados:
- Tá tarde. Vou embora, punheteiro.
- Punheteiro é o caralho. Bati uma pra você e nem gostei.
- Eita que mentira da porra.
- Não vou falar de punheta com você, July, sinceramente.
Aquele tesão estava se manifestando nele sim, mas tinha muito mais receio e vergonha do que interesse ou outra coisa. Como homens não eram exatamente a praia da menina, ela se preocupava menos.
- Oxe, por quê? Besteira. A gente é amigo desde pequeno. E você sabe sim coisas de mim que nem todo mundo sabe.
- Tá bom. Vamos fazer o seguinte – Disse Daniel pegando uma garrafa vazia - jogo da verdade. Vai?
- Deixa de ser burro, pra quê garrafa se só tem nós dois?
- Pergunta então, querida. Irônico.
- Você já bateu punheta pensando em mim?
- Já tinha perguntado e eu disse que sim. Perdeu a pergunta, agora sou eu. E você, já sentiu tesão em mim? Não vale mentir.
- Ah, não quero brincar disso. Vamos tirar fotos.
Ele estava muito bêbado para discordar.
- Deixa que eu tiro. O trabalho num é uma foto sua?
Pegou a câmera. E começou a tirar fotos. Ela fazia poses.
- Faz uma pose de playboy. Não, playboy não, sexy.
Ela colocou um dedo na boca, sem controlar o riso, e a outra mão atrás da cabeça. Ele clicava sério. Pensava se estava sóbrio o suficiente para não fazer merda com o tesão que estava sentindo. Não estava.
- Me dá a câmera agora. Sua vez. G magazine, vai.
Ele tirou a camisa e ficou fazendo poses ridículas. July se matava de rir, mas ele não. Várias fotos foram tiradas. Ele tirou a calça. Para ela era brincadeira. A conotação sexual era pequena. Pelo menos até ver um volume na roupa íntima do amigo.
- Daniel! Você tá de pau duro?
- Não, é porque é grande mesmo. Mentiu segurando o membro.
- Duvido você botar pra for...
Antes de terminar a frase, ele o fez. Tirou a cueca, rodou em cima da cabeça e jogou longe.
Daniel não era de se jogar fora. Tinha cabelos pretos, olhos azuis e sempre fez esportes. Não era sarado mas tinha tudo no lugar.
July, mantinha o mesmo espírito, mas agora fingia. Pensava que ele estava bêbado e não sabia o que estava fazendo e provavelmente não ia lembrar daquilo. Continuou.
A bunda agora. Falava alto numa tentativa disfarçar seu tesão, o transformando em festa. Daniel seguia firme.
Ele virou. Ela clicava sentada numa cadeira. Ele chegou perto dela, dançando e rebolando ridiculamente. Ela não riu. Ele parecia estar em outro mundo. Completamente bêbado. Sentou de frente para ela no seu colo. Continuava dançando, mas apesar da ereção não aparentava intenção de seduzi-la – o que a encorajou a passar a mão de leve no corpo dele, como se ele não estivesse percebendo. Daniel se levantou e antes que pudesse dar um passo para trás, foi puxado de volta pelo pênis, até a boca de July. Ela o chupava sem jeito. Ele parou de dançar. Não estava entendendo/acreditando. Queria estar sóbrio para compreender aquilo. Tentava em vão ficar lúcido fechando os olhos com força. Ela o abocanhava com muito mais vontade do que perícia. Ele estava passivo. Ela levantou. O levou para o sofá. Estava menos embriagada. Só tirou a calcinha por baixo da saia e sentou no menino que parecia estar dormindo. Cavalgou um pouco enquanto se tocava. Não era sexo. Ela só o usava como uma espécie de boneco inflável. Gozou logo. Pegou a sua calcinha e foi saindo da casa. Tinha deixado a câmera. Olhou pra trás. Daniel estava do mesmo jeito no sofá. Ela voltou e irracionalmente começou a masturbá-lo rapidamente. Não que quisesse dar prazer ao menino – só queria vê-lo gozar. Satisfação própria. Fazia rápido. O álcool atrasava as coisas. Cansou um braço. Tentou outro. Não tinha habilidade. Voltou para o direito e usou a boca. Não demorou muito. Daniel se contorceu e explodiu. Ela pegou as coisas e foi pra casa. Ele não vai lembrar, tá muito bêbado. Confiou nisso.
Daniel lembrou, mas fingiu que não. July apagou as fotos e a amizade não se alterou. Passaram-se meses. Amanhã é sábado e na festinha vai rolar um filme pornô, mas é só para zoar.
24 Novembro 2008
Feliz Aniversário
Era aniversário de Júlia. Meia noite e quatro bia liga para ser a primeira. Melhor amiga. Outros ligaram, outros mais hipócritas só deixaram recado no orkut e uns menos enviaram mensagem pelo celular. Poucos perguntaram o que ela ia fazer no dia e nenhum propôs nada. Decidiu sair só. Estava puta. É engraçado dizer que estava puta. Era uma da tarde. Vestiu o biquíni e foi à praia sozinha, afinal se bastava. Deitou na canga com a barriga firme e besuntada de protetor solar 15 com efeito bronzeante para cima, fone de ouvido na orelha tocando Marisa Monte e óculos escuros. As pernas estavam levemente separadas e tinham um resquício da marca do outro e maior biquíni.
Entre “bem-que-quis” e “pra ser sincero” formou-se uma pelada 3x3, com traves de coco por meninos de pernas brancas do mesmo prédio. Ela só percebeu quando a bola caiu perto e o chão tremeu. Levantou os óculos e colocou a mão em cima da sobrancelha como que dizendo que porra é isso. Também não saio daqui, pensou. Cheguei primeiro. Aumentou o volume. Uma dividida de bola lançou 58 grãos de areia no seu dedão esquerdo do pé. Puta que pariu. Tirou os óculos quase quebrando as pernas, colocou a cara de feia de não saio daqui nem fodendo, flexionou um pouco as pernas e apoiou os cotovelos no canto da canga e ficou observando com cara de poucos amigos os meninos jogando bola. Jeferson era o gordo que não gostava de futebol e ficava ali perto do gol pra não ficar sobrando. 17 anos e espinha no rosto. O ângulo dos joelhos de Júlia comprimiam sua vulva no pequeno biquíni de uma maneira que gerava um volume levemente repartido ao meio devido à depilação minuciosa que fizera para o caso de se dar bem no dia do aniversário. Só notou Jeferson olhando quando os meninos gritaram com ele por causa do gol não evitado por falta de atenção. O impulso inicial foi de ficar mais puta e acabar a festa, mas o seu ódio pelo mundo e a coincidência do seu aniversário ter caído exatamente 14 dias depois que menstruou a fizeram preferir provocar o gordinho. Abriu um pouco mais as pernas e ajeitou a parte de cima do biquíni. Jeferson tentava disfarçar falando com os colegas de time enquanto observava. Júlia decidiu passar protetor solar na parte interna da coxa. Virou-se de bruços, quase de quatro para pegar algo na bolsa. O biquíni não era fio dental, mas nessa hora ficou um pouco. Quando retornou, viu o menino de tetas grandes dar uma coçadinha no pau. Pronto, era hora de ir. Ela deu tchauzinho de longe. Mais um gol aconteceu.
À tarde, mais ligações e o mesmo número de propostas. Sair sozinha de novo à noite era a saída. Tinha provado que se bastava. Onze horas no bar, muitos conhecidos, alguns paqueras, mas nenhum parabéns. Antes da banda começar rolava um som. Uma gostosa tipo cachorra funkeira dançava exageradamente com um short branco curto envolvendo um rabo. Lembrou da frase de Marco, seu amigo: “calça branca dá tesão até no varal”. Deu em Matheus: menino de cabelo partido de lado e ombros estreitos que a secava descaradamente. Júlia foi ao bar. Caipirinha. Uma, duas, três. Meia noite e meia passa perto da escada que a cachorra subia rebolando-se e o tal do Matheus ainda, de baixo, como que gravando a imagem para a punheta que bateria em casa, secando. Lembrou-se do gordinho da praia. Ébria, chegou para Matheus e perguntou ao seu pé-do-ouvido
E eu? Sou gostosa também?
O menino, vermelho, fez que sim. Ela saiu de perto, queria só provocar.
Andou pelo bar e por meia hora. Por onde ia, Matheus a espreitava sem coragem de abordar. Ela sorriu com o canto da boca e foi lá.
Qual é o seu nome?
Matheus e o seu?
Roberta. Você é virgem, Matheus?
Não
Claro que é.
Você não vai me comer mas eu tenho uma proposta:
Uma lágrima estava prestes a cair pelos olhos do menino.
Eu te mostro minha boceta, mas você não vai poder me tocar e vai ter que fazer uma coisinha pra mim. Topa?
Sim.
Seu pau está duro?
Não respondeu. Ela chegou perto e tocou a calça. Estava.
O que eu tenho que fazer?.
Você topa ou não?
Topo
Foram ao banheiro masculino, numa cabine. Ele estava parado.
Baixa as calças. Ela mandou.
Cueca Zorba.
Me dá o seu dedo, Júlia falou. Ele deu o indicador. Ela pegou a mão dele, sacou o médio e colocou na boca. Chupou muito. Ele estava com o pau duro e cabeça vermelha, mas tinha vergonha de se masturbar.
Você não vai me mostrar? O menino tinha a voz trêmula.
Calma, você ainda não fez o que eu pedi. Enfia o dedo no cu.
To falando sério. Quer ver ou não quer?
Ele colocou a mão atrás de si.
Não vale roubar. Deixa eu ver. Ela colocou ele de costas com um pé no vaso para vê-lo se penetrando. O menino se tremia de alguma coisa: ódio, medo ou vergonha.
Enfia tudo
Feito. Júlia colocou-se do lado dele e levantou o vestido. E baixou a calcinha até o joelho também. Matheus estava imóvel com o dedo no cu.
Você pode bater uma se quiser, só não pode me tocar.
Ele não fez nada, só olhava com o ânus entupido e o cacete ereto.
- Ela começou a brincar com sua boceta. Exibia-se pra ele. A brincadeira evoluiu e ela sim começou a tocar uma. Gemia alto para provocá-lo, mas nem sentia tanto prazer assim. Ele timidamente tocou seu pau. Júlia virou pra ver se o dedo do menino estava onde ela tinha mandado. Estava. Ela abria sua vulva para Matheus ver. O fez por 30 segundos até o coitado gozar. Espirrou um pouco na palma da mão dela que devolveu com um sonoro tapa na cara. O rosto de Matheus ficou vermelho da pancada e molhado do seu próprio esperma. Ela enxugou o que faltava na camisa dele e foi embora. Ele sentou no vaso e chorou. Ela foi pra casa vingada.